Se não bastasse o magnetismo das rochas de ilhabela para descontrolar as bússolas, existe também a chamada "Zona de Silêncio", local onde os meios de orientação conhecidos tornam-se inferiores. As maiores vítimas dessas interferências são as pequenas aeronaves, nas quais equipamentos de navegação, apesar de sofisticação, não tem a complexidade dos aparelhos de grande porte.
Assim é que vários casos de aviões sinistrados são encontrados na região delimitada pelo triângulo de Ilhabela. Em 15 anos desapareceram nada menos que dez aviões, sendo que o último ocorreu no dia 12 de outubro de 1992.
Como em todo acidente, com ou sem vítima fatais, existem várias versões para a causa. Uma delas é a explicação técnica de que a região nada tem de azarada.
Trata-se apenas de uma rota que passa pelo encontro do mar com a montanha, sujeita a mudanças bruscas de tempo e que deve ser olhada com bastante cuidado pelos pilotos.
Outra versão é de que os acidentes ocorreram por falhas humanas ou técnicas das aeronaves. Todavia, isso não explica a grande incidência de casos numa mesma região, distando apenas poucos quilômetros um do outro, distância essa que para um acidente aeronáutico é irrisória.
Mas há ainda pelo metros mais uma versão para a causa dos acidentes. Aquela que para quem conhece os mistérios da área do triângulo, parece ser a que melhor explica as causas dos acidentes. Em pesquisas realizadas na região do triângulo, foram detectados vários sinistros, os quais ocorreram conforme o seguinte relato:
a) DC-4 - 1958 - Pousou em chamas próximo à praia da Baleia, na costa sul de São Sebastião (SP), sem causar vítimas.
b) CESSNAPT - 25 de janeiro de 1972 - 4 mortos - localizado somente 12 anos mais tarde, por acaso, no alto da Serra do Mar.
c) CESSNA - 1978 - 2 mortos - Desapareceu. Meses depois seus destroços foram encontrados na Serra do Mar, próximo à Mogi das Cruzes.
d) CESSNA - l978 - 3 mortos - Parentes do ex-presidente do Banco do Brasil Alberto Policaro. Destroços encontrados ao norte de Parati, na Serra do Mar.
e) ISLANDER PT KHK - 1980 - 8 mortos - Seis geólogas do Projeto Rondon e dois tripulantes. Desapareceram na rota Rio-São Paulo, próximo a Ubatuba, sem deixar vestígios.
f) BANDEIRANTES - 1984 - 14 mortos - Caiu ao norte do triângulo, próximo ao litoral do Rio de Janeiro
g) NA V AJO -2 de março de 1984 - A aeronave, pilotada por Carlos Pasqualini, caiu no mar na praia do Cruzeiro, onde conseguiu se salvar.
h) GIRACÓPTERO - 15 de outubro de 1985 - Ferimentos graves no piloto, o Sargento PM Walter Rodrigues. Teve falha no motor. Caiu na praia de Indaiá, em Bertioga.
i) NA V AJO - 1988 - 4 mortos - Caiu em Ubatuba (SP), próximo à praia de Pomba, no caminho de Parati.
j) CORISCO - 1988 - 4 mortos - O único sinal encontrado foi o corpo de um dos ocupantes, recolhido por pescadores na costa da Ilhabela.
I) ULTRALEVES DA POLÍCIA MILITAR - Causou a morte do Capitão Paulo Menezes e um piloto ficou ferido.
m) HELICÓPTERO "ESQUILO PT-HMK" - 12 de outubro de 1992 - Levantou vôo às 15:30 h do aeroporto de Angra dos Reis (RJ) para um vôo visual com destino a São Paulo, e sem definição prévia de rota, sem manter contato com órgãos de proteção de vôo e tráfego aéreo, o piloto Jorge Comeratto após 15 minutos de vôo sobre a Baía de Ilha Grande, já a velocidade de 200 km/h foi surpreendido por uma chuva de granizo e ventos fortes. Ele procurou voar sobre o mar, evitando a serra, onde havia neblina, tentando voar cada vez mais baixo para manter uma situação visual melhor. Transportava o Deputado Federal Ulysses Guimarães, sua esposa Mora Guimarães, o empresário Severo Gomes e sua esposa Henriqueta Gomes, todos falecidos, fato que atingiu grande repercussão nacional.
Apesar de todos os esforços, as equipes de busca que contaram com mergulhadores, navios da marinha, aviões, helicópteros e até um robô mecânico instalado no navio Astro-Garopa (Remote control Video -RCV) equipado com um sonar capaz de delinear as fort11as de qualquer objeto que estiver no fundo do mar. Não foi possível a localização do corpo do Deputado Ulysses Guimarães, cujo o fato passa a somara dezenas de outros desaparecimentos nas águas misteriosas da região do Triângulo.
Um fato curioso é que parte da fuselagem do helicóptero "Esquilo PT -HMK", foi encontrado em Ilhabela por pescadores, próximo a Praia de Guanchumas. Fica aqui uma indagação de o por quê?
A proporção do acidente que envolveu o episódio de Ulysses Guimarães, merece um estudo mais aprofundado, até mesmo um livro. Em futuras edições, pretendemos fazer um estudo mais aprofundado com referência a este capítulo. Como se pode observar, a incidência de acidentes é grande. Alguns desses aparelhos desapareceram por completo, outros encontrados anos após, outros desaparecidos para sempre. Todavia parte de seus tripulantes, seus corpos jamais fora m localizados. Pretendemos efetuar um levantamento nas delegacias da região para ternos um número exato de desaparecidos. Não só dos aviões perdidos, mas também de pescadores, embarcações e outros.