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Sergipe - Apresentação

Sergipe é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Localizado na região Nordeste do Brasil, tem como limites Alagoas (NO), Oceano Atlântico (L) e Bahia (S e O) e ocupa uma área de 21.910 km², sendo pouco maior que Israel, e o menor dos estados brasileiros. Sua capital é a cidade de Aracaju.

Suas cidades mais populosas são Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Lagarto, Itabaiana , Estância e Tobias Barreto.
 

Características

 
Seu relevo é composto de planície e planalto, e a maior parte, cerca de 86%, com menos de 300 m de altitude. O trecho litorâneo é largo, formado pelas areias e dunas litorâneas. A medida que vai-se indo para o interior, surgem pequenas elevações (em torno dos 100 m), os tabuleiros, até o centro do Estado.
Em direção a oeste as altitudes chegam a 742 m formando a Serra Negra (ponto culminante do Estado). Próximo à divisa com a Bahia surgem as Serras Comprida, Palmares, Miaba, Itabaiana, Cajueiro, Capunga, entre outras e a sudoeste, as Serras Aguilhadas, Jabiberi, Boqueirão, Macota, Cajaíba e outras. Margeando o São Francisco encontramos planície que na divisa com Alagoas, junto ao litoral, forma um delta.
 
O Estado não apresenta secas importantes pois com o relevo baixo, os ventos úmidos do Oceano penetram facilmente.
Abriga uma das maiores concentrações de bacias hidrográficas, a do Rio São Francisco; do Rio Japaratuba; do Rio Sergipe, responsável pelo abastecimento de água de Aracaju através do represamento dos Rios Poxim e Pitanga; do Rio Vaza-Barris; do Rio Piauí; e do Rio Real, que quando deságuam em seu litoral formam imensos manguezais, viveiro natural de várias espécies marinhas, onde se encontram os caranguejos, importantes para a população.
Os mangues vêm sendo arrasados, ou para a fabricação de carvão, aterros (Coroa do Meio) e construção civil, ou para sua utilização como combustível, pelas indústrias.
Conta com várias ilhas, destacando-se as Ilhas da Paz do Paraíso (nos estuários dos Rios Vaza-Barris) e a Ilha de Arambipe (na foz do Rio São Francisco). Na Ilha de Santa Luzia, defronte a Aracaju, está a Cidade de Barra dos Coqueiros. Em São Cristóvão, a Ilha de Patatiba ou Ilha da Veiga; em Porto da Folha, a Ilha de São Pedro.
As lagoas existentes são de restinga e de várzea. Cedro é a maior lagoa em Sergipe. O Estado abriga ainda as Lagoas de Catu, em Japaratuba e a da Prata, em Tobias Barreto.
O clima tropical domina o Estado: o quente úmido, corresponde à faixa litorânea, com um período de seca de apenas 3 meses; quente e semi-úmido entre o litoral e o sertão, com um período de 4 a 5 meses de seca; e quente e semi-árido (seco) no sertão, com um período de 7 a 8 meses de seca.
 
 

Cultura

 
O Estado apresenta diversas instituições culturais, como Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a Sociedade de Cultura Artística de Sergipe e a Academia Sergipana de Letras; diversos museus como o do Instituto Histórico e Geográfico, o de Arte e Tradição e do Convento de São Francisco, em São Cristóvão, um dos mais ricos museus de arte sacra do Brasil; diversas bibliotecas, destacando-se a Biblioteca Pública do Estado de Sergipe, a da Universidade Federal de Sergipe, fundada em 1967, e a do Instituto Histórico e Geográfico; e diversos monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico.
As principais festas religiosas de Sergipe são: a Procissão do Bom Jesus dos Navegantes, procissão fluvial que percorre o estuário do Rio Sergipe, em 1º de janeiro; os festejos de Natal, de 25 de dezembro a 6 de janeiro, em que se destaca o Carrossel do Tobias, um boneco preto que toca um grande realejo; e a de Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro, todas em Aracajú. No interior, as principais festas populares são a do Senhor do Bonfim, em Estância, que dura três dias; a de Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto, em 8 de setembro; e a dos Passos, em São Cristóvão, na Quaresma.
O folclore espalha-se pelo Estado destacando-se a Taieira, em Japaratuba e Laranjeiras; o Reisado; o Guerreiro, em Propriá, Riachuelo, Pacatuba e Aracaju; Bacamarteiros; Lambe-Sujo; Caboclinhos; o Cacumbi, em Laranjeiras; e Parafusos, em Lagarto.
As expressões folclóricas mais populares são o Carnaval, as Festas Juninas, a Corrida de Jegues em Itabi, no mês de setembro e o Encontro Cultural de Laranjeiras, realizado anualmente.
O artesanato do Estado é um dos mais expressivos do País. São peças cuidadosamente trabalhadas em couro, cerâmica, sisal, renda e bordado. No Sertão concentra-se a produção das peças trabalhadas em couro e sisal. A renda, em Tobias Barreto, Nossa Senhora da Glória, Propriá, Santana do São Francisco, Divina Pastora e Cedro de São João. O bordado em Propriá e Tobias Barreto. A cerâmica é o carro-chefe da economia do Município de Santana do São Francisco.
A culinária típica sergipana tem como prato principal a buchada, feita de sangue e miúdos de carneiro, além dos frutos do mar, carne do sol e milho, indispensável durante os festejos juninos como canjica e pamonhas, mas também no prato diário na mesa dos sergipanos na forma de bolinhos e cuscuz. Um dos acompanhamentos mais tradicionais é o caldo de feijão, peixe, sururu ou ostra. Há doces a base de frutas locais, como o jenipapo. No interior, é famosa a paçoca, prato de carne desfiada com farinha de mandioca. As bebidas à base de frutas, como as batidas de maracujá, coco e pitanga e os licores de jenipapo, graviola e pitanga são os mais comuns.
 

Turismo

 
O turismo em Sergipe tem atrações para todos os gostos.
Para quem gosta de praias, o litoral sergipano, com seus 173 km de extensão, oferece algumas das mais belas, com dunas de areia branca, lagoas e coqueirais. Umas já apresentam moderna infra-estrutura, outras ainda primitivas. Destacam-se as de Abaís, Caueira, Saco, Pirambu, onde está instalado o Projeto Tamar e se encontra a maior e a menor tartaruga do mundo, Atalaia e Ponta dos Mangues, entre outras.
Para o turismo histórico, Sergipe apresenta muitas Cidades fundadas nos séculos XVI e XVII, algumas tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional, com igrejas e capelas do estilo barroco, como Tomar do Geru, onde os jesuítas deixaram um dos mais belos templos do período de colônia, São Cristóvão, a quarta Cidade mais antiga do Brasil, com seu fabuloso patrimônio histórico e artístico e Laranjeiras, com museus e igrejas antigas.
O turismo ecológico faz-se representar pelos rios com seus estuários, desaguando no Atlântico, principalmente o Rio São Francisco, além do Poxim, Real, Vaza Barris e Sergipe, com seus manguezais. O Rio São Francisco, o Rio Real e o Rio Sergipe são cortados por catamarãs em cinco rotas.
A infra-estrutura turística conta com uma rede de hotelaria de primeira, em Aracaju e em vários pontos do interior.
O grande agito de Sergipe fica por conta de 2 festas populares que têm levado milhares de turistas a visitar o Estado. São o Carnaval e as Festas Juninas.
Quando se inicia junho, Sergipe transforma-se no maior arraial do País. O Estado fica em festa 30 dias do mês, a mais longa festa do País. Aracaju, Estância, Capela, Muribeca, Areia Branca, e Cristinápolis se destacam na animação. São casamentos e bailes caipiras, missa de vaqueiros, Festa do Mastro, fogos de artifício, barcos de fogo, concursos de quadrilhas e muita zabumba, xaxado, baião, forró, triângulo e sanfona. Estância e Capela apresentam uma grande queima de fogos, um espetáculo inédito no Brasil e no mundo, destacando-se as Guerras de Buscapés, Barcos de Fogo e Espadas, ao som do ritmo quente do Samba de Coco, Pisa Pólvora e do Batalhão de Fogo. Em Areia Branca, o forródromo é palco do S. João de Paz e Amor.
O Carnaval em Sergipe tem muita folia e agitação e dura 8 dias. O Pré-Caju, que se inicia uma semana antes do Carnaval, abre as comemorações com os blocos e trios elétricos que fazem a alegria de cerca de 100 mil pessoas.
 
 

Rodovias

BR-235
Rodovia transversal brasileira que liga Cachimbo no Pará a Aracaju no Sergipe. É uma das rodovias mais complicadas do país pois, não há asfalto na maior parte da rodovia e ainda há muitos trechos em implantação.
 
BR-101
Rodovia translitorânea que atravessa os estados de Rio Grande do Norte. Paraíba,Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.Em parte de sua extensão tem também a denominação oficial de Rodovia Governador Mário Covas.
Segue no sentido Norte - Sul por praticamente todo o litoral leste brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Tem dois trechos não construídos entre Peruíbe (SP) e Iguape (SP), e entre Cananéia (SP) e Garuva (SC). Encontra-se em duplicação entre Palhoça (SC) e Osório (RS).
 
É uma das mais importantes rodovias brasileiras, parte da Rodovia Panamericana.
 

História

 
Na segunda metade do século XVI teve início a colonização do estado com a chegada de navios franceses onde os seus tripulantes trocavam objetos diversos por produtos da terra (pau-brasil, algodão, pimenta-da-terra).
 
Entre o final do século XVI e as primeiras décadas do século XVII, a atuação dos missionários e de algumas expedições militares afasta os franceses e vence a resistência indígena. Ocorre grande miscigenação entre portugueses e índios.
 
Garcia d'Ávila, proprietário de terras na região, iniciou a conquista do território. Contava com a ajuda dos jesuítas para catequizar os nativos. A conquista deste território e sua colonização facilitariam as comunicações entre Bahia e Pernambuco e impediriam também as invasões francesas.
 
Surgem os primeiros povoados, como o arraial de São Cristóvão. Originário do povoado de São Cristóvão, a capitania de Sergipe D'El-Rei foi colonizada em 1590 após a destruição de indígenas hostis e Sergipe começa a explorar o açúcar. A existência de áreas inadequadas à plantação de açúcar no litoral favorece o surgimento das primeiras criações de gado. Sergipe torna-se, então, um fornecedor de animais de tração para as fazendas da Bahia e de Pernambuco. Houve também uma significativa produção de couro.
Igreja do Santo Antônio, em um dos pontos mais altos de AracajuQuando das invasões holandesas, na primeira metade do século XVII a economia ficou prejudicada, vindo a se recuperar em 1645 quando os portugueses retomaram a região. O território, que na época fazia parte da Bahia, foi responsável em 1723 por um terço da produção de açúcar da Bahia.
 
Uma primeira tentativa em 1820 de conceder autonomia ao território fracassou. Somente em 1823, depois da independência, Sergipe recupera sua autonomia, se desmembrando da província da Bahia. Mas o progresso da província é pequeno durante o Império, com exceção de um breve surto algodoeiro na segunda metade do século XIX.
 
Com a Proclamação da República, passou a ser Estado da Federação tendo sua primeira Constituição promulgada em 1892.
 
O quadro permanece assim em todo o primeiro período republicano, com setores das camadas médias urbanas sendo as únicas forças a enfrentar a oligarquia local, como nas revoltas tenentistas em 1924.