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Maranhão - Apresentação

O Maranhão é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado no oeste da região Nordeste e tem como limites o Oceano Atlântico (N), o Piauí (L), Tocantins (S e SO) e o Pará (O). Um pouco maior que a Itália e um pouco menor que a Alemanha, o estado ocupa uma área de 331.983,293 km². A capital é São Luís, e outras cidades importantes são Imperatriz, Açailândia, Timon, Caxias, Codó, Santa Inês, Bacabal, Balsas, Itapecuru-mirim e Zé Doca.

Características

O Maranhão é, a rigor, Meio-Norte, pois possui acentuadas características das duas regiões, a Norte e a Nordeste.

Seu relevo apresenta a planície litorânea e o planalto.

 

A planície litorânea é formada por um relevo de colinas que, em certas partes, vai até a linha da costa e em outras fica separado do mar por uma faixa de terrenos baixos e planos, sujeitos a inundações no período das chuvas.

O planalto ocupa todo o interior do Estado e nas proximidades do Golfão Maranhense as elevações alcançam apenas 150 a 200 m de altura; mais para o sul, 300 a 400 m; e nas proximidades do divisor de águas, entre as Bacias do Parnaíba e Tocantins, atingem 600 m. Tem 75% do território abaixo de 200 m de altura e apenas 10% acima de 300 m. O ponto culminante do Estado é a Chapada das Mangabeiras com 804 m de altitude.

A vegetação é formada pela floresta tropical, com grande abundância da palmeira do babaçu, produto básico da economia e campos periodicamente inundáveis no norte-ocidental, pela zona de transição entre a floresta pré-amazônica e a vegetação do Nordeste (cerrados e caatinga) do norte-oriental até a fronteira piauiense e por cerrados na porção meridional. Apresenta um fenômeno geológico curioso, o chamado Lençóis Maranhenses. É uma área considerada o único deserto brasileiro com mais de 200 km² de dunas de areia branca e lagoas de água doce, que se evaporam no período da seca.

Ocorrem no Maranhão três tipos de clima: o tropical superúmido, dominante na parte ocidental do Estado, apresentando chuvas abundantes; o tropical, com chuvas de outono; e o tropical com chuvas de verão, ambos com estação seca bem marcada. Não há registros de secas catastróficas.

Cultura

O Maranhão abriga grande quantidade de monumentos históricos e arquitetônicos, muitos tombados pelo Patrimônio Histórico, principalmente nas Cidades de Alcântara, São Luís e Caxias.

As festas mais populares no Estado são o Bumba-meu-Boi, o Carnaval e a Festa do Divino Espírito Santo. As danças folclóricas são o Tambor de Crioula, o Tambor de Mina, Cacuriá, Dança do Lêle e a Dança do Coco.

Seu artesanato exprime a mistura das 3 raças, resultando em armas, utensílios e adornos indígenas; rendas de bilro, em padrões açorianos; artigos de tecidos com fibra do buriti;  redes-de-dormir, em fio de algodão ou linha mercerizada, miniaturas com minuciosos detalhes, dos barcos típicos do litoral, e do Bumba-meu-Boi.

O Maranhão mistura a culinária amazonense com a do Nordeste porém com temperos mais suaves.

O mais conhecido e característico prato maranhense é, com certeza, o cuxá, que se come com arroz branco e peixe frito. As compotas mais comuns são as de bacuri, buriti, banana, laranja, abricó, murici, jaca, abacaxi, goiaba e caju. Nas bebidas, os vinhos, emulsões licores, sucos e macerados mais comuns, que regionalmente são chamados de cambica ou sembereba, são os de juçara, bacaba, murici, cupuaçu, jacama, buriti, caju, tamarindo, bacuri, cajá e cajazinho. A cachaça maranhense é a tiquira que tem coloração azulada.

Rodovias

A região noroeste é a mais procurada pelos migrantes devido às rodovias Belém-Brasília, Transamazônica, BR-222, BR-316, além da Estrada de Ferro Carajás-Ponta da Madeira e a porção norte pelo centro submetropolitano de São Luís.

O território maranhense é influenciado por Belém, no extremo ocidental; por Recife, o restante através da ação que exerce em São Luís e por Teresina, em alguns Municípios junto à divisa com o Estado do Piauí.

Histórico

A primeira Capitania do Maranhão, criada em 1534 e dividida em duas partes, não chega a ser efetivamente ocupada por seus donos João de Barros, Fernand'Álvares de Andrade e Aires da Cunha.

Os dois primeiros traçaram o plano para tomar posse da Capitania. Organizaram a maior empresa particular colonizadora e confiaram sua execução a Aires da Cunha, que partiu para o Brasil com 10 navios e 900 homens para habitar o território. Mas esses navios foram a pique. Os sobreviventes teriam fundado uma povoação, Nazaré, e começado a explorar a terra pelos rios, porém os índios não lhes facilitaram essa ocupação, o mesmo ocorreu anos depois, em mais uma tentativa.

João de Barros, em 1555, enviou seus filhos João e Jerônimo à Donataria, quando os franceses já ali haviam penetrado. Isso atrasou a colonização do Maranhão, que passou a ser alvo da cobiça de navegadores aventureiros, principalmente franceses que fundaram a França Equinocial, com 500 homens e três navios, em 1612. Construíram o Forte e Vila de São Luís, em homenagem ao Rei-Santo, Luís XIII. O fato teve uma certa repercussão e provocou uma crise diplomática. Seguiram-se lutas e tréguas entre portugueses e franceses até 1615, quando aqueles se apoderaram do território.

A Cidade de São Luís conservou seu nome francês enquanto que a fortaleza mudou seu nome para São Filipe, em homenagem ao Rei Espanhol Filipe III, pois nessa época Portugal pertencia à Espanha. Após o envio de diversas expedições colonizadoras a população duplicou.

Em 1621, devido a sua localização estratégica, às vantagens oferecidas pela rota Lisboa-São Luís-Lisboa e à vasta extensão do território que ia do Ceará até o extremo norte, foi criado o Estado Colonial do Maranhão e Grão-Pará, com sede em São Luís, uma vez que as relações com a Capital da Colônia, Salvador, localizada na costa leste do Oceano Atlântico eram dificultadas, devido às correntes marítimas.

Em 1641, os holandeses invadiram a região e ocuparam a Ilha de São Luis. Três anos depois, foram expulsos pelos portugueses. A partir daí torna-se um ponto de apoio à exploração da Amazônia e ao povoamento do Norte do País.

Para estimular o desenvolvimento econômico regional, apoiado nas monoculturas do açúcar e do algodão de base escravista, é criada primeiro a Companhia do Comércio do Maranhão, em 1682, que assegurava a exclusividade e a obrigação de comprar toda a produção do Estado e o compromisso de fornecer escravos africanos. Como o prometido não foi cumprido, todos se revoltaram e o principal cabeça do movimento foi Manuel Beckmann, senhor de engenho no Mearim.

Cerca de 70 anos depois é criada a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão.

Os índios passaram a viver sob um novo regime: foram declarados livres, embora pudessem ser requisitados para servir, mas nesse caso o colono ficava obrigado a fornecer-lhes comida e uma pequena quantia em dinheiro. O domínio português consolida-se e em 1774 o Maranhão separa-se do Pará.

A forte influência portuguesa no Maranhão fez com que o Estado só aceitasse em 1823 a Independência do Brasil.

Em 1831, é palco da Setembrada, que exige a expulsão dos portugueses e dos padres franciscanos da região e, em 1838; e da Balaiada, movimento popular contra a aristocracia rural.

No século XVII, a base da economia do Estado era a produção do açúcar, cravo, canela e pimenta; no século XVIII, surgiram o arroz e o algodão.

Na segunda metade do século XVIII, com o início da Revolução Industrial inglesa, as exportações de algodão têm um forte crescimento, contribuindo para a prosperidade econômica e para o aumento da população.

Esse crescimento econômico, porém, não se mantém. Após as lutas da Independência, o Maranhão entra no século XIX com a economia em declínio.

A Abolição da Escravatura, em 1888, faz com que o Estado aumente sua decadência econômica, da qual só se recuperaria durante a Primeira Guerra Mundial, quando teve início o processo de industrialização, a partir da produção têxtil.