Salvador - Bahia

Salvador (fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos) é uma cidade brasileira, capital do estado da Bahia e primeira capital do Brasil. Os habitantes são chamados de soteropolitanos, gentílico criado a partir da tradução do nome da cidade para o grego: Soterópolis, ou seja, "cidade do Salvador".

Situada na microrregião homônima, Salvador é uma metrópole nacional com quase três milhões de habitantes, sendo a cidade mais populosa do Nordeste, a terceira mais populosa do Brasil e a oitava mais populosa da América Latina (superada por São Paulo, Cidade do México, Buenos Aires, Lima, Bogotá, Rio de Janeiro e Santiago). Sua região metropolitana, conhecida como "Grande Salvador", possui 3.866.004 habitantes(IBGE/2008), o que a torna a mais populosa do Nordeste, quinta do Brasil e 89ª do mundo. É classificada pelo IBGE em comparação com a rede urbana das outras cidades brasileiras como um centro metropolitano nacional. A superfície do município de Salvador é de 706,8 km² (fonte: IBGE), e suas coordenadas, a partir do marco da fundação da cidade, no Fortaleza de Santo Antônio, são 13° 58' 16'' sul e 38° 30' 39'' oeste. Centro econômico do estado, é também porto exportador, centro industrial, administrativo e turístico.

A cidade de Salvador era antigamente chamada de Bahia, inclusive por moradores do próprio estado. Também já recebeu alguns epítetos, como o de "Capital da Alegria", devido aos enormes festejos populares, como o seu carnaval, e "Roma Negra", por ser considerada a metrópole com maior percentual de negros localizada fora da África.

Salvador é também sede de importantes empresas regionais, nacionais e internacionais. Foi em Salvador onde surgiu a Odebrecht, que, em 2008, tornou-se o maior conglomerado de empresas do ramo da construção civil e petroquímica da América Latina, com várias unidades de negócios em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e diversos países do mundo. Além de empresas, a cidade sedia também muitos eventos, organizações e instituições, como a Universidade Federal da Bahia (segunda melhor do Nordeste e a 19º da América Latina em divulgação científica na web) e a Escola de Administração do Exército Brasileiro.

História

Terreiro de Jesus e Igreja de São Francisco no Centro Histórico de Salvador.

A região antes mesmo de ser fundada cidade, já era habitada desde o naufrágio de um navio francês, em 1510, de cuja tripulação fazia parte Diogo Álvares, o famoso Caramuru. Em 1534, foi fundada a capela em louvor a Nossa Senhora da Graça, porque ali viviam Diogo Álvares e sua esposa, Catarina Paraguaçu.

Em 1536, chegou à região o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu capitania hereditária de El-Rei Dom João III. Fundou o Arraial do Pereira, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Esse arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha. Os índios não gostavam de Pereira Coutinho por causa de sua crueldade e arrogância no trato. Por isso, aconteceram diversas revoltas indígenas enquanto ele esteve na vila. Uma delas obrigou-o a refugiar-se em Porto Seguro, com Diogo Álvares; na volta, já na Baía de Todos os Santos, enfrentando forte tormenta, o barco, à deriva, chegou à praia de Itaparica. Nessa, os índios fizeram-no prisioneiro, mas deram liberdade a Caramuru. Francisco Pereira Coutinho foi retalhado e servido numa festa antropofágica.

Chegada de Tomé de Sousa à Bahia, numa gravura de começo do século XIX.

Em 29 de Março de 1549 chegam, pela Ponta do Padrão, Tomé de Sousa e comitiva, em seis embarcações: três naus, duas caravelas e um bergantim, com ordens do rei de Portugal de fundar uma cidade-fortaleza chamada do São Salvador. Nasce assim a cidade de Salvador: já cidade, já capital, sem nunca ter sido província. Todos os donatários das capitanias hereditárias eram submetidos à autoridade do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa.

Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat.

Com o governador vieram nas embarcações mais de mil pessoas. Trezentas e vinte nomeadas e recebendo salários; entre eles o primeiro médico nomeado para o Brasil por um prazo de três anos: Dr. Jorge Valadares; e o farmacêutico Diogo de Castro, seiscentos militares, degredados, e fidalgos, além dos primeiros padres jesuítas no Brasil, como Manuel de Nóbrega, João Aspilcueta Navarro e Leonardo Nunes, entre outros. As mulheres eram poucas, o que fez com que os portugueses radicados no Brasil, mais tarde, solicitassem ao Reino o envio de noivas. Talvez Tomé de Sousa tenha sido o primeiro visitante a apaixonar-se pelo local, como muitos após ele, pois disse ao funcionário que lhe entregou a notícia de que o substituto estava a caminho: "Vedes isto, meirinho? Verdade é que eu desejava muito, e me crescia a água na boca quando cuidava em ir para Portugal; mas não sei por que agora se me seca a boca de tal modo que quero cuspir e não posso". Após Tomé de Sousa, Duarte da Costa foi o governador-geral do Brasil, chegou a 13 de Julho de 1553, trazendo 260 pessoas, entre elas o filho Álvaro, jesuítas como José de Anchieta, e dezenas de órfãs para servirem de esposas para os colonos. Mem de Sá, terceiro governador-geral, que governou até 1572, também contribuiu com uma grande administração.

Monumento "Cruz Caída" na Sé de Salvador, ao fundo o Palácio do Arcebispado de Salvador.

A cidade foi invadida pelos neerlandeses em 1598, 1624-1625 e 1638. O açúcar, no século XVII, já era o produto mais exportado pela colônia. No final deste século a Bahia se torna a maior província exportadora de açúcar. Nesta época, os limites da cidade iam da freguesia de Santo Antônio Além do Carmo até a freguesia de São Pedro Velho. A Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi a capital, e sede da administração colonial do Brasil até 1763.

Em 1798, ocorreu a Revolta dos Alfaiates, na qual estavam envolvidos homens do povo como Lucas Dantas e João de Deus, e intelectuais da elite, como Cipriano Barata e outros profissionais liberais.

Salvador em 1875.

Em 1809, Marcos de Noronha e Brito, o conde dos Arcos, iniciou sua administração, a qual foi muito benéfica à cidade. Em 1812 ele inaugurou o Teatro São João, onde mais tarde Xisto Bahia cantaria suas chulas e lundus, e Castro Alves inflamaria a platéia com os maravilhosos poemas líricos e abolicionistas. Ainda no governo do Conde dos Arcos, ocorreram os grandes deslizamentos nas Ladeiras da Gameleira, Misericórdia e Montanha.

Em 1835 ocorre a revolta dos escravos muçulmanos, conhecida como Revolta dos Malês. Durante o século XIX, Salvador continuou a influenciar a política nacional, tendo emplacado diversos ministros de Gabinete no Segundo Reinado, tais como José Antônio Saraiva, José Maria da Silva Paranhos, Sousa Dantas e Zacarias de Góis. Com a proclamação da República, e a crise nas exportações de açúcar, a influência econômica e política da cidade no cenário nacional decresce.

Em 1912 ocorre o bombardeio da cidade, causado pelas disputas entre as lideranças oligárquicas na sucessão do governo: é destruída a Biblioteca e Arquivo, perdendo-se de forma irremediável importantes documentos históricos da própria cidade.

Geografia

Clima

Gráfico climático para Salvador
J F M A M J J A S O N D
 
 
44
 
30
24
 
 
58
 
30
24
 
 
107
 
30
24
 
 
192
 
29
23
 
 
188
 
28
23
 
 
168
 
27
23
 
 
143
 
26
22
 
 
100
 
26
22
 
 
74
 
27
22
 
 
71
 
28
23
 
 
74
 
29
23
 
 
69
 
30
24
Temperaturas em °C  Precipitações em mm

Possui um clima tropical predominantemente quente, com chuvas no inverno e verão seco, chega a extremos de 16°C no inverno e a 38°C no verão. A brisa oriunda do Oceano Atlântico deixa agradável a temperatura da cidade mesmo nos dias mais quentes.

Os bairros litorâneos, fora da Baía de Todos os Santos, como a Pituba, Praia do Flamengo, recebem fortes ventos, vindos do mar.

A temperatura máxima absoluta no município de Salvador foi de 34,4°C no dia 8 de fevereiro de 1963 e mínima absoluta de 19,8°C no dia 20 de julho de 1966.

Praias e litoral

Imagem de satélite da NASA de Salvador e da Baía de Todos os Santos.

Salvador possui famosas praias, como as de Itapuã, dos Artistas e do Porto da Barra. As praias da cidade atraem tanto habitantes locais como turistas, principalmente devido à temperatura agradável da água. Algumas praias possuem restaurantes típicos na própria areia (barracas de praia), onde se preparam frutos do mar e bebidas diversas. Além disto, é comum encontrar tabuleiros de baianas, onde é possível provar um Acarajé.

Relevo

O relevo de Salvador é acidentado e cortado por vales profundos. Conta com uma estreita faixa de planícies, que em alguns locais se alargam. A cidade está a 8 metros acima do nível do mar.

A capital baiana é dividida em duas partes: a Cidade Alta, a maior delas (e mais recente), e a Cidade Baixa, cortada por faixas litorâneas. Existem elevadores que fazem o transporte entre as duas.

Vegetação

Existem vários tipos de vegetação na cidade. Nas praias e dunas, encontram-se coqueiros. Entre as espécies presentes em Salvador estão a pimenteira, o capim-da-areia e a grama-da-praia.

Demografia

Eleitorado

População e Eleitorado (Eleições Municipais), 2006[15]
Habitantes Eleitorado Eleitorado (% da população)
2 892 625 1 801 559 58,47%

Salvador é o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, depois de São Paulo e Rio de Janeiro, contando com aproximadamente 1,8 milhão de eleitores.

Etnias

Salvador é o centro da cultura afro-brasileira. A maior parte da população é negra ou parda. Segundo dados divulgados pelo PNAD de 2005 para a região metropolitana de Salvador, 54,9% da população é de cor parda, 26% preta, 18,3% branca e 0,7% amarela ou indígena[16]. Salvador é a cidade com o maior número de descendentes de africanos no mundo, seguida por Nova York, majoritariamente de origem iorubá, vindos da Nigéria, Togo, Benim e Gana.

Crescimento populacional

Nos últimos anos, a população de Salvador está aumentando. Teve nas décadas de 1960 a 1991 o pico de crescimento.

Religião

Catedral-Basílica Primacial de São Salvador.

Salvador em termos de religião é conhecida por ter 365 igrejas católicas, uma para cada dia do ano, além do sincretismo religioso, onde o catolicismo convive junto ao candomblé. O número de evangélicos vem crescendo a cada ano, já respondendo por 15% da população soteropolitana. Possui ainda um percentual significante de espíritas, e de pessoas não-religiosas. É a sede da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

Religião Porcentagem Nº de pessoas
Católicos 58,74% 1 479 101
Sem religião 18,14% 443 236
Protestantes 15,13% 324 785
Espíritas 2,53% 61 833

Política e administração pública

Prefeitos

Prefeitura de Salvador.
Antiga Casa de Câmara e Cadeia da Cidade de Salvador, e atual sede da Câmara Municipal de Salvador.
Palácio do Governo

Até 2012, o prefeito de Salvador será João Henrique Carneiro e o vice, Edvaldo Brito.

Vereadores

A Câmara dos Vereadores de Salvador conta com 41 vereadores. Em 2006, na Câmara Municipal de Salvador foram aprovadas 245 leis. Entre elas, 211 foram projetos apresentados pelos vereadores, que também apresentaram 310 emendas, 725 pareceres, fizeram 235 registros e 4 253 requerimentos administrativos.

Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) e mais cinco entidades da sociedade civil, a Câmara de Vereadores de Salvador, em fevereiro de 2008, aprovou o novo e polêmico Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) para Salvador, que permitira, ainda segundo o CREA, o desmatamento da Mata Atlântica na Avenida Paralela, criação de paredões de prédios na orla atlântica e acarretará prejuízos para a Prefeitura e lucros exorbitantes para as construtoras e imobiliárias. O CREA solicitou à Justiça Federal alteração em 48 itens da lei que aprovou o novo PDDU.

Relações internacionais

O Município de Salvador integra, dentre outras organizações, o Mercado Comum de Cidades (Mercocidades) e a União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas.

Cidades-irmãs

Salvador possui as seguintes cidades-irmãs:

  • Los Angeles, Estados Unidos da América (1962)
  • Bandeira de Portugal Angra do Heroísmo, Portugal (1985)
  • Bandeira de Portugal Cascais, Portugal (1985)
  • Bandeira de Portugal Lisboa, Portugal (1985)
  • Cotonou, Benim (1987)
  • Pontevedra, Espanha (1992)
  • Havana, Cuba (1993)
  • Sciacca Terme, Itália (2001)
  • Harbin, China (2003)

Parceiras

Além de irmãs, Salvador também possui cidades e regiões parceiras, com as quais mantém um estreito relacionamento. São elas:

  • Bandeira da Alemanha Heidelberg, Alemanha
  • Bandeira da Alemanha Munique, Alemanha
  • Luanda, Angola
  • Buenos Aires, Argentina
  • San Miguel de Tucumán, Argentina
  • Baku, Azerbaijão
  • Ouidah, Benin
  • Cartagena das Índias, Colômbia
  • Santiago, Chile
  • Valparaíso, Chile
  • Shandong, China
  • Guangzhou, China
  • Dalian, China
  • Kaohsiung, China
  • Shenzhen, China
  • Roseau, Dominica
  • San Salvador, El Salvador
  • Quito, Equador
  • Barcelona, Espanha
  • Cádiz, Espanha
  • Madrid, Espanha
  • Atlanta, Estados Unidos
  • Filadélfia, Estados Unidos
  • Miami, Estados Unidos
  • Norfolk, Estados Unidos
  • Nova York, Estados Unidos
  • Cayenne, Guiana Francesa, França
  • Charente-Maritime, França
  • Grenoble, França
  • La Rochelle, França
  • Saint-Malo, França
  • Libreville, Gabão
  • Boké, Guiné
  • Bali, Indonésia
  • Cagliari, Itália
  • Ferrara, Itália
  • Florença, Itália
  • Nápoles, Itália
  • Sant'Oreste, Itália
  • Turim, Itália
  • Kioto, Japão
  • Nara, Japão
  • Essaouirá, Marrocos
  • Marrakech, Marrocos
  • Ilha de Moçambique, Moçambique
  • Maputo, Moçambique
  • Pemba, Moçambique
  • Lagos, Nigéria
  • Assunção, Paraguai
  • Bandeira de Portugal Figueira da Foz, Portugal
  • Krasnodar, Rússia
  • Ilha do Príncipe, São Tomé e Príncipe
  • Ilha de Gorée, Senegal
  • Izmir, Turquia
  • Montevidéu, Uruguai

Região metropolitana

A Região Metropolitana de Salvador, popularmente conhecida como "Grande Salvador", é constituída por 13 municípios: Camaçari, Candeias, Dias d'Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Mata de São João, Pojuca Salvador, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz e conta com 3.866.004 habitantes. Atualmente, é a mais populosa região metropolitana do Nordeste brasileiro, a quinta entre as brasileiras (IBGE/2008) e a 89ª do mundo (projeções para 2009).

Subdivisões

Mapa de Salvador, com os principais bairros e localidades.
Clique na imagem para ver ampliada.

A princípio, Salvador era dividida apenas em Cidade Alta e Cidade Baixa, devido ao relevo acidentado, se projeta sobre a Baía de Todos os Santos, assumindo um formato triangular, em cujo vértice está o Farol da Barra. A capital baiana se mostra complexa na divisão territorial, sendo os limites das localidades e até mesmo as diferenças entre as denominações (bairros, distritos, zonas, setores) indefinidos e superpostos entre si, principalmente nas zonas do miolo urbano e subúrbios ferroviários.

Apesar da fundação planejada e iniciada no atual Centro histórico, o crescimento da capital ao longo do tempo ocorreu espontaneamente. Logo os limites se expandiram devido as ordens católicas, surgindo novas localidades como o Carmo e o Pelourinho, chamados até então de freguesias.

No século XIX ocorre uma expansão sul da cidade, surgindo a Vitória, Graça, Canela e Barra como localidades novas, e somente no início do século XX é que se faz uma reforma territorial, estabelecendo 11 distritos. A partir daí, o crescimento desordenado da cidade leva a dificuldade de estabelecer os limites e os bairros acabaram se fundindo de tal maneira, que até hoje não se conhece a quantidade direito.

Em 1987, Salvador foi dividida em 18 zonas político-administrativas para melhorar a gestão territorial. Entretanto, para confirmação de referências de endereçamentos postais e pesquisas de recenseamento, leva-se em conta a importância dos bairros soteropolitanos, o que demonstra a efervescência da cidade. Sejam bairros, distritos ou zonas, essas localidades continuam se desenvolvendo e ainda agrupam as mais diversas camadas sociais, em constante expansão vertical e horizontal.

A Primeira Divisão Recenseadora do Brasil, dividia nas seguintes freguesias:

  • Sé ou São Salvador (criada em 1552);
  • Nossa Senhora da Vitória (criada em 1561);
  • Nossa Senhora da Conceição da Praia (criada em 1623);
  • Santo Antônio Além do Carmo (criada em 1646);
  • São Pedro Velho (criada em 1679);
  • Santana do Sacramento (criada em 1679);
  • Santíssimo Sacramento da Rua do Passo (criada em 1718);
  • Nossa Senhora de Brotas (criada em 1718);
  • Santíssimo Sacramento do Pilar (criada em 1720);
  • Nossa Senhora da Penha (criada em 1760).

Já no século XX, esse modelo sofreu várias reformas, dispostas de acordo com legislações descritas a seguir.

  • A Divisão Administrativa de 1911 estabeleceu 11 distritos, acrescentados mais cinco distritos em 1931.
  • O Decreto-Lei n° 10.724/38 considerou um só distrito, Salvador, e mais 24 zonas.
  • O Decreto-Lei Estadual n° 141/43 alterou a denominação "zona" para "subdistrito".
  • O Decreto-Lei n° 701/48 estabeleceu limite de setores.
  • A Lei n° 502 de 12 de Agosto de 1954 dividiu o município em 5 distritos (Salvador, Nossa Sra das Candeias, Água Comprida, Ipitanga e Madre de Deus) - o distrito de Salvador passa a ter 20 sub-distritos.
  • A Lei nº 1038/1960, que estabeleceu os limites dos distritos, sub-distritos

e bairros, sendo reconhecidos 32 (trinta e dois) bairros na cidade.

  • A Lei n° 1.855 de 5 de Abril de 1966 criou o primeiro Código de Urbanismo e estabeleceu

novos limites de setores.

  • A Lei n° 2403/72 - Código de Obras - estabeleceu 21 setores no município.
  • A Lei n° 2454 de 4 de Janeiro de 1973 estabeleceu limite municipal e interdistritais (2 distritos e 22 sub-distritos).
  • O Decreto Nº 7.791/87 criou as Regiões Administrativas - RAs.
  • Em 2004, a nova lei do PDDU delimitou as divisões atuais das RAs.

Desde essa última lei, a cidade é dividida em 18 regiões administrativas, as quais são RA I - Centro, RA II - Itapagipe, RA III - São Caetano; RA IV - Liberdade; RA V - Brotas; RA VI - Barra; RA VII - Rio Vermelho; RA VIII - Pituba/Costa Azul; RA IX - Boca do Rio/Patamares; RA X - Itapuã; RA XI - Cabula; RA XII - Tancredo Neves; RA XIII - Pau da Lima; RA XIV - Cajazeiras; RA XV - Ipitanga; RA XVI - Valéria; RA XVII - Subúrbios Ferroviários e a RA XVIII - Ilhas de Maré e dos Frades.

Pelourinho

O Pelourinho em 1900.

A palavra Pelourinho, em sentido amplo, corresponde a uma coluna de pedra localizada normalmente ao centro de um praça, onde eram expostos e castigados criminosos. No Brasil, e em especial o pelourinho de Salvador, o uso principal era para castigar escravos através de chicotadas durante o período colonial. Tempos depois do fim da escravidão no Brasil, este local da cidade passou a atrair artistas de todos os gêneros: cinema, música, pintura, etc., tornando o Pelourinho em um centro cultural.

Pelourinho.

Em 1991, houve maciço investimento estatal em segurança e financiamento na instalação de hospedarias, restaurantes, escolas de dança e outras artes, além duma grande restauração dos casarios que foi iniciada. Contundo, certas construções não foram recuperadas internamente, já que as fachadas foram priorizadas, dentre outros motivos, devido ao estado do interior do casario que impedia a reconstrução fiel. Com a restauração, a procura dos turistas nacionais e estrangeiros pelo local foi ampliada. Mas também, moradores desses casarios foram recolocados em outros bairros de Salvador.

O Pelourinho de Salvador é um local repleto de construções coloniais de diferentes tons de cor. Então, por todo o valor histórico-cultural, atualmente, o nome consta no Registro Histórico Nacional, é chamado de Centro Cultural do Mundo pela UNESCO e, ainda, a UNESCO certificou esse sítio histórico como Patrimônio da Humanidade.

O Pelourinho está dentro do Centro Histórico de Salvador, o qual é tombado pela UNESCO, e, assim, permite a Salvador ser membro da Organização das Cidades do Patrimônio Mundial.

Economia

Salvador é a cidade economicamente mais desenvolvida no Estado, devido a histórica participação comercial e industrial. A participação da agropecuária na economia é inexpressível devido a inexistência de territórios rurais dentro do município.

Composição da economia de Salvador[25]
Indústria
20,99%
Agropecuária
0,06%
Serviços
78,94%

A economia de Salvador está distribuída da seguinte forma:

De acordo com o IBGE, o PIB de Salvador vem crescendo, chegando a atingir R$ 22 145 303 000,00 em 2005, assim como o PIB per capita, que chegou a R$ 8 283,00 também em 2005. Ainda neste ano, o PIB da cidade correspondia a 1,03% das riquezas produzidas no país e era a 9ª cidade mais rica do Brasil.

Em 2003, de acordo com a contagem do IBGE na época, Salvador possuía o 19º maior PIB entre os municípios brasileiros e o segundo entre os baianos, atrás apenas de Camaçari. Nesse ano, o PIB de Salvador era de R$ 11 967 563 000,00, o que correspondia a 0,77% do PIB do Brasil daquele ano.

Construção civil

Segundo o sítio especializado em pesquisa de dados sobre edificações, Emporis Buildings, Salvador está entre as cem cidades do mundo com mais prédios, mais precisamente está em 64º lugar, é a 11ª latino-americana, 9ª sul-americana, 6ª do Brasil e 3ª do Nordeste, e totaliza 790 edifícios de todos os tipos. As cinco maiores edificações são Terrazzo Imperiale (com 125 m), Apollo XXXVIII (com 90 m), Ville Imperial (76 m), Elevador Lacerda (com 72 m) e Residencial Granville (com 46 m).

Turismo

Praça Campo Grande, Salvador.

A cidade é um importante destino turístico do país. Quanto ao turismo internacional, fica atrás apenas do Rio de Janeiro em procura segundo a EMTURSA. O interesse pela cidade se dá pela beleza do conjunto arquitetônico e da cultura local (música, culinária e religião).

O turista que escolhe Salvador pode ir à praia pela manhã, fazer um passeio ao Centro Histórico à tarde, jantar em um dos bons restaurantes da cidade e ir dançar nos ensaios dos blocos de carnaval ou ao som de outros estilos musicais. Outras opções de lazer são os teatros, como o Castro Alves, o Jorge Amado e o Vila Velha. Ainda se pode ir ao Farol da Barra ver o pôr-do-sol na Baía de Todos os Santos.

O Mercado Modelo é o ponto escolhido por muitos turistas para comprar lembranças da Bahia, dentre elas rendas, berimbaus e todo tipo de artesanato produzido no estado. No porão - que atualmente é aberto a visitação - ficavam os escravos vindos da África enquanto aguardavam serem leiloados. O porão é repleto de placas de concreto com cerca de 30 centímetros de altura do chão, para que o turista possa ali passear mesmo quando a maré está cheia, pois é comum o porão encher-se de água do mar neste momento. Os arcos com os tijolos a mostra - e que servem de estrutura para o Mercado Modelo - fazem belas composições quando refletidos no espelho d'água. Idiossincrasia de um tempo moderno.

Cidade de Salvador.

Outro grande atrativo da cidade é o Carnaval, considerado a maior festa popular do mundo (o Guinness Book, em 2004, registrou o carnaval da Bahia como sendo o maior do mundo). Existem três formas de aproveitar o carnaval baiano, uma é associar-se a um dos blocos carnavalescos que são puxados por trios elétricos e isolados da multidão por uma corda. Muitos argumentam que isto termina por privatizar o espaço público, e de que essa forma de aproveitar o carnaval só é acessível àqueles com alto poder aquisitivo, pois para adquirir um abadá é preciso desembolsar, em média, oitocentos reais. A segunda forma é ficar nos camarotes que estão distribuídos por todo o percurso da folia. Essa forma de pular carnaval só é acessível para quem tem ainda mais dinheiro, preferindo assistir a festa do alto, em confortáveis espaços onde os pagantes podem dispor de boates, serviços médicos, banquetes de frutas e comidas típicas, além de outras amenidades.

O centro visto do mar.

A prefeitura, no entanto, tem realizado um trabalho de inclusão da população de baixa renda nos circuitos da folia, montando arquibancadas para esse público, que tem acesso gratuito às mesmas. A terceira, é aproveitar a festa na conhecida "pipoca", que são os foliões de rua que acompanham os trios elétricos do lado de fora das cordas de isolamento, protegidas pelos cordeiros. Estas áreas de isolamento, apropriadas por empresas privadas, tomam conta de praticamente todo o espaço público. Apesar de a festa atrair milhares de turistas nacionais e estrangeiros, muitos soteropolitanos optam por sair da cidade nesse período, preferindo a tranqüilidade do litoral e das ilhas da baía de Todos os Santos à agitação do carnaval.

O povo é alegre, criativo, musical e herdeiro de um rico folclore e de relevantes manifestações culturais. A cidade é reconhecida pela originalidade de manifestações musicais, culinárias, religiosas e lutas marciais, além de ser berço de grandes nomes nas diversas áreas artísticas, com profundo destaque nacional e internacional.

Os ritmos musicais mais comuns da região são o axé, o pagode, o forró, o arrocha e o samba. Mas há também um forte movimento de MPB e rock acontecendo na Bahia, que vem atraindo a atenção dos produtores musicais brasileiros.

A cidade é berço de grandes artistas, e é cantada em prosa e verso por muitos cantores brasileiros e estrangeiros.

Pontos turísticos

O Elevador Lacerda, o Mercado Modelo, a Marina e o Forte de São Marcelo vistos da Cidade Alta.
O Mercado Modelo localizado na praça Cairu visto de cima.
Farol da Barra.

Entre os pontos turísticos mais conhecidos estão:

  • Mercado Modelo: uma das zonas comerciais mais antigas e tradicionais de Salvador, abriga duzentas e sessenta e três lojas que oferecem grande variedade de artesanato, presentes e lembranças da Bahia.
  • Elevador Lacerda: um dos principais pontos turísticos e cartão-postal da cidade, liga a Cidade Baixa à Cidade Alta.
  • Pelourinho.
  • Igreja de Nosso Senhor do Bonfim: construída em estilo neoclássico com fachada em rococó.
  • Farol da Barra: localiza-se na antiga ponta do Padrão, no litoral da capital baiana.
  • Parque Metropolitano da Lagoa e Dunas do Abaeté: mantido sobre proteção ambiental, conta com uma das lagoas mais famosas do Brasil: a lagoa do Abaeté.
  • Ponta de Humaitá: localizada em um dos locais mais visitados da Cidade Baixa, conta com belezas naturais.
  • Farol de Itapuã: construído no século XIX, fica encravado entre pedras, na praia de Itapuã.
  • Alto de Ondina: onde se encontra o Jardim Zoológico.
  • Marina da Penha.
  • Solar do Unhão: o engenho, construído no século XVII, abriga atualmente o Museu de Arte Moderna da Bahia.
  • Dique do Tororó: lagoa artificial, localizada no bairro do Tororó.
  • Parque da Cidade: conta com cerca de 720 mil m² de área verde. É um local de preservação da Mata Atlântica, vegetação original da costa brasileira.
  • Parque Metropolitano de Pituaçu: parte do paque é coberto por mata atlântica, sendo a maior área verde de Salvador.
  • Forte de São Marcelo: erguido sobre um pequeno banco de arrecifes a cerca de 300 metros da costa, destaca-se por se encontrar dentro das águas.
  • Parque de São Bartolomeu: área de preservação ambiental, conta com uma extensa reserva de mata atlântica.
  • Jardim Botânico.
  • Feira de São Joaquim.
  • Fonte Nova: principal estádio de futebol da cidade.

Salvador Bus

Marina da cidade.

Em outubro de 2007, foram instaladas rotas turísticas em ônibus de dois andares para a cidade de Salvador, seguindo o padrão de outras cidades turísticas do mundo. A expectativa é que o serviço, denominado Salvador Bus, comece a funcionar na segunda quinzena de novembro de 2007, percorrendo cinco rotas turísticas:

  • Tour Salvador Praias (Praia de Stella Maris - Farol da Barra)
  • Tour Orixás da Bahia (Mercado Modelo - Dique do Tororó)
  • Tour Salvador Histórico (Farol da Barra - Pelourinho)
  • Tour Salvador Panorâmico (Mercado Modelo - Igreja do Bonfim)
  • Tour Salvador by Night/Luzes da Cidade (Rio Vermelho - Farol da Barra - Centro Histórico - Pelourinho - Praça Municipal - Mercado Modelo - Solar do Unhão)

Infraestrutura

Mídia e telecomunicações

O setor de telecomunicações e mídia em geral são bastante importantes. Uma vez que foi sede da administração portuguesa no Brasil, teve importantes jornais a nível nacional, assim acompanha as grandes mudanças, sendo uma das primeiras a implanterem novas tecnologias no país. Um exemplo é o telefone celular, o primeiro celular lançado no Brasil foi pela TELERJ, na cidade do Rio de Janeiro em 1990, e logo foi seguido da cidade de Salvador.

Transportes

Aéreo

Interior do aeroporto.

Salvador conta com um aeroporto internacional, o Aeroporto Internacional de Salvador - Deputado Luís Eduardo Magalhães, anteriormente era denominado de Dois de Julho. É o maior de todo Norte, Nordeste e Sul brasileiro e o quinto mais movimentado do país. Em 2007, foi o 3º maior do Brasil em movimento de malas postais, o 5° de passageiros e 6º de aeronaves e cargas. Situado a 28 km do centro de Salvador, numa área de mais de seis milhões de metros quadrados (entre dunas e vegetação nativa), o aeroporto dispõe de completa infra-estrutura aeroportuária e um moderno terminal de passageiros (inaugurado em 2001) capaz de atender a seis milhões passageiros ao ano e receber 24 aeronaves simultaneamente. Existem vôos regulares para as principais capitais brasileiras e para alguns países da Europa.

Aquaviário

Por ser uma cidade litorânea, é comum a utilização do transporte aquaviário, contando, inclusive, com algumas rotas para a ilha de Itaparica. A Companhia das Docas do Estado da Bahia, a Companhia de Navegação Baiana e o Circuito Náutico da Bahia são as principais responsáveis por esse transporte.

Ferroviário

Plano Inclinado Gonçalves.

A Companhia de Transportes de Salvador é responsável pelo transporte ferroviário da região metropolitana.

O Metrô de Salvador está em fase de construção. Possuirá, quando concluído, 28 estações e 48,1 km de extensão e transportará cerca de 400 mil usuários por dia.

Rodoviário

Salvador conta com transportes intermunicipais que conduzem às cidades do interior do estado e coletivos que circulam por toda a região metropolitana; esses transportes desembarcam no terminal rodoviário.

Trilhos e elevador

O Elevador Lacerda, os Planos Inclinados Gonçalves, Pilar e Liberdade-Calçada fazem o transporte da Cidade Alta para a Baixa.

Cultura

A cultura desenvolvida em Salvador, primeira cidade do Brasil, e no Recôncavo da Bahia, exerceu influência decisiva em outras regiões do país, e na própria imagem que se tem do Brasil no exterior. Desde o século XVII observa-se no estado uma dualidade religiosa: de um lado, a religião católica (de origem européia); do outro, o candomblé (de origem africana).

Museu da Cidade e Casa de Jorge Amado no Centro Histórico de Salvador.

Já no século XIX firmou-se o gosto do baiano - tanto o de origem abastada quanto o pobre - pelo epigrama (tipo de poesia satírica); pelas modinhas (poesia lírica musicada); e, também, pelos sermões religiosos, praticado desde Frei Vicente do Salvador e tendo o ápice em Vieira.

A chegada dos africanos vindos do golfo de Benim e do Sudão, no século XVIII, foi decisiva para desenvolver a cultura da Bahia como um todo. Segundo Nina Rodrigues, isso é o que diferencia a cultura baiana da cultura encontrada nos outros estados brasileiros. Nesses, os africanos que vieram eram, predominantemente, os negros bantos de Angola.

Uma das ruas do Centro Histórico de Salvador.

Os negros iorubanos e nagôs estabeleceram uma rica cultura nas terras da Baía de Todos os Santos. Pois que tinham religião própria, o candomblé; música própria, a chula, o lundu; dança própria, praticada no samba de roda; culinária própria, que deu origem à culinária baiana, inventando diversos pratos com base no azeite-de-dendê e leite de coco (tudo com muita farinha-de-guerra dos índios tupinambás e tapuias), e sobremesas, desenvolvendo o que veio de Portugal; luta própria, a capoeira, e o maculelê; vestimenta própria, aliando as já tradicionais indumentárias africanas às fazendas portuguesas; e uma mistura de línguas, mesclando iorubá com português.

No século XIX, os visitantes começaram a cultuar a imagem da Bahia como de uma terra alegre, bonita, rica (por causa da cana-de-açúcar e das pedras preciosas das Lavras) e culta, que dava ao Brasil grandes intelectuais e Ministros do Gabinete Imperial.

Bloco de bonecos durante o Carnaval de Salvador, expressão típica da cultura popular nordestina.

Na década de 1870, as baianas começaram a migrar para o Sudeste do país em busca de emprego. E, assim, essas "tias" baianas foram disseminando a cultura da Bahia, vendendo acarajés nos tabuleiros e gamelas, dando festas onde se dançava samba de roda (que, mais tarde, modificado pelos cariocas, iria resultar no samba como se tornou conhecido), desfilando suas batas e panos-da-costa pelas ruas da Capital Federal. Por isso, naquela época, chamava-se de baiana todas as negras bonitas, segundo afirma Afrânio Peixoto, no "Livro de Horas".

A partir da década de 20 do século XX, torna-se moda fazer músicas em louvor à Bahia. E houve grande polêmica quando o sambista Sinhô, contrariando, cantou que a Bahia era "terra que não dá mais coco". Baianos e cariocas, tais como Donga, Pixinguinha, Hilário Jovino Ferreira e João da Baiana, foram defender a Bahia.

A partir da década de 30, primeiro pelos romances de Jorge Amado e depois pelas músicas de Dorival Caymmi, ficou estabelecida ante o Brasil a imagem que se tem da Bahia, perdurando até os dias atuais.

Feriados municipais

São feriados municipais na cidade, segundo a lei nº 1.997, de 21 de Junho de 1967, que os fixa:

  • São João (24 de junho)
  • Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro)

Além dos outros feriados válidos para todo o Brasil e para a Bahia.

Festas e comemorações

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, onde ocorre o ritual da lavagem das escadarias.

Procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes acontece em 1 de janeiro. Várias embarcações de todos os tipos velejam na Baía de Todos os Santos carregando a imagem do Bom Jesus da igreja da Conceição da Praia para a capela da Boa Viagem, num lindo desfile de fé.

De 3 a 6 de janeiro tem Reis, a Festa da Lapinha.

Na segunda quinta-feira do mês de janeiro se faz a Lavagem do Bonfim. Uma enorme procissão, em que os participantes vestem trajes brancos, em homenagem a Oxalá. A multidão parte da igreja da Conceição da Praia em direção à Igreja do Bonfim, no alto da Colina Sagrada, no bairro de mesmo nome. A cada ano aproximadamente 800 mil pessoas participam da grandiosidade desse evento religioso. Ao chegarem ao final do cortejo, baianas com suas roupas típicas despejam os vasos com água de cheiro no adro da Igreja do Bonfim e sobre as cabeças dos fiéis. É uma festa Católica, misturada com Candomblé, que tem se tornado cada vez mais profana que religiosa. Ao final da lavagem da escadaria da igreja, começa a parte mais popular da festa, com muita cerveja, pagode, reggae e comidas servidas em barracas que se espalham por quase todo o bairro do Bonfim. Durante a realização dessa festa, a Cidade Baixa fica praticamente interditada para o tráfego de veículos pelas ruas e avenidas por onde o cortejo se desloca. Apesar de não ser feriado na cidade, os estabelecimentos comerciais que ficam ao longo do percurso fecham as portas em respeito à realização da festa e por pura falta de condições de funcionarem enquanto milhares de pessoas se divertem pelas ruas.

É comemorado o dia de São Lázaro no último domingo de janeiro.

Regata de Saveiros João das Botas ocorre entre janeiro e fevereiro.

Festa de Iemanjá no Rio Vermelho, em 2008.

No dia 2 de fevereiro, os adeptos do candomblé homenageiam a Rainha do Mar, Iemanjá simbolizada numa sereia. A festa acontece no Rio Vermelho, quando centenas de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao Candomblé "entregam" presentes à Rainha do Mar, depositando perfumes, flores e outras oferendas em barcos que transportam os presentes ao alto mar. Algumas pessoas simplesmente jogam os presentes ao mar. É uma grande e poderosa manifestação de fé na força da Mãe d'Água, que tem desdobramento profano nas barracas padronizadas, onde a crença é transformada em samba, festa que se prolonga até altas horas da noite, regada principalmente a cerveja.

Quinze dias antes do carnaval se faz a Lavagem da Igreja de Itapuã.

E em fevereiro é a vez da Lavagem da Igreja de Nossa Senhora da Luz.

Praia do Farol da Barra cheia de banhistas, um dia antes da abertura do Carnaval de Salvador 2008.Foto: Fabio Pozzebom/ABr.

Entre fevereiro e março ocorre o tão esperado Carnaval. Durante sete dias, da quarta-feira até a manhã da quarta-feira de Cinzas, acontece a maior festa do mundo em participação popular, que toma toda a cidade de foliões, vestidos nos abadás e becas dos blocos preferidos ou com fantasias e pulando como "pipoca" atrás dos trios independentes, rumo aos diversos circuitos do carnaval. Os foliões chamados de "pipocas" são aqueles que não têm condições de pagar por uma fantasia e sair dentro de um bloco e acabam pulando o tempo todo fora das cordas que circundam os trios-elétricos. Existe o circuito central, do Campo Grande à Praça Castro Alves; outro, na orla, sentido Barra-Ondina; e o mais tradicional, do Pelourinho à rua Chile, no Centro Histórico. Neste circuito, o forte é a música das bandinhas de sopro e percussão, os afoxés, blocos afros e os fantasiados e, nos demais, desfilam os grandes blocos, com os possantes trios elétricos, uma criação dos baianos Dodô e Osmar que virou mania em todo o Brasil.

Na segunda quinzena junho, ocorre a também bastante aguardada São João, que na capital tem o nome de "Arraiá da Capitá" e se concentra no Parque de Exposições, reunindo cantores de várias parte do Brasil e do estado da Bahia, barracas com comidas e bebidas típicas.

O 2 de julho é a data magna baiana, quando ocorre em Salvador e cidades do Recôncavo a festa pela independência da Bahia, que tem o Caboclo e Cabocla como ícones da participação popular na defesa do que viria a ser a nação brasileira contra o domínio português. O desfile do 2 de julho aconteceu pela primeira vez em 1824 como forma de protesto do povo baiano contra a continuidade da ordem social vigente.

Em 27 de setembro é São Cosme e São Damião, dia em que devotos fazem caruru e distribuem balas para as crianças. Esta festa, porém, se restringe basicamente ao Mercado de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiros, região do Centro Histórico de Salvador. Muitos adeptos do Candomblé, entretanto, fazem festas particulares em suas residências, distribuindo o tradicional caruru e balas.

De 29 de novembro a 8 de dezembro se comemora o dia da Nossa Senhora da Conceição. O ponto culminantes da festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia é em frente à igreja de mesmo nome, nas imediações do Elevador Lacerda. Ali são armadas barracas onde são servidas comidas e bebidas, ao som de reggaes, pagodes e sambas os mais diversos.

Problemas atuais

Favela no bairro soteropolitano de Sussuarana.

Além da desigualdade social, há tempos, a capital da Bahia também sofre com o turismo sexual, desemprego e violência, iluminação pública e saúde precárias, crescimento desordenado (favelização) e desrespeito ao meio ambiente. A cidade possui a nona maior concentração de favelas entre os municípios do Brasil com 99 favelas.

Desigualdade social

Apesar de ser a capital mais rica do Nordeste e entre as primeiras do Brasil, alguns indicadores relativizam essa riqueza. Como no resto do Brasil - e principalmente do Nordeste -, há uma grande desigualdade em diversos aspectos. O IDH é levemente maior que o do Brasil, mas pode se reduzir a níveis da África ou se elevar a níveis da Europa, dependendo do bairro ou região da cidade considerados. De acordo com o PNUD, o IDH-M do Itaigara é 0,971, do Caminho das Árvores-Iguatemi é 0,968, do Caminho das Árvores/Pituba-Rodoviária e Loteamento Aquárius é 0,968, de Brotas-Santiago de Compostela é 0,968 e da Pituba-Avenida Paulo VI e Parque Nossa Senhora da Luz é 0,965; todos iguais ou maiores que da Noruega, líder mundial há seis anos. Porém, locais como Zona Rural-Areia Branca e CIA Aeroporto-Ceasa (0,652), Coutos-Fazenda Coutos, Felicidade (0,659) e Bairro da Paz/Itapuã-Parque de Exposições (0,664) apresentam índices menores que países como a África do Sul, Guiné Equatorial e Tajiquistão, localizados na África e Ásia Central.