Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens
A igreja de Coqueiro Seco, sob a invocação de Nossa Senhora Mãe dos Homens, foi fundada pelo Pe. Bernardo José Cabral (+1814), com licença do bispo de Pernambuco D. Diogo de Jesus Jardim (2 de setembro de 1790). Em 2 de março de 1791 obteve o pároco da então freguesia autorização para benzê-la e nela celebrar missas. Em 21 de julho desse ano, deu-se a concessão de 40 dias de indulgência a todas as pessoas que, em presença da imagem da santa, rezassem uma Salve-Rainha; e assim foram iniciados os trabalhos clericais.
Em 4 de setembro de 1805, o Núncio Apostólico, em Lisboa, concedeu cem dias de indulgência para quem rezasse na capela e outros cem dias para quem rezasse sob a imagem de Bom Jesus dos Remédios um Padre Nosso, uma Ave Maria e um Gloria Patri pelo Papa, pela exaltação da Igreja e pelo bem espiritual e temporal da Rainha D. Maria I e do Príncipe Regente D. João. A capela, filial da freguesia de Santa Luzia do Norte, ficou conhecida pelas suas imagens, sobretudo pelo presépio da Divina Pastora. O fundador da igreja soube incentivar a formação de um grupo de diaconisas sujeitas a votos de pureza; mesmo após a extinção da instituição, essas religiosas levaram à frente a tarefa de manutenção do decoro do culto e promoção de brilhantes festividades.
Há relatos históricos da passagem do Imperador D. Pedro II entre o final de 1859 e início de 1860, na sua viagem pelas províncias do nordeste, por Maceió e comunidades circunvizinhas. Dentre os locais visitados por D. Pedro II está a freguesia de Coqueiro Seco e a sua igreja de belos azulejos portugueses e objetos de Relíquia Sacra.
O N° 5 da Revista do Instituto Archeologico e Geographico Alagoano (1874) publicou artigo de Nicodemos de Souza Moreira Jobim (1869) sobre a igreja do Coqueiro Seco com notícia a respeito da música de sua principal festa:
"D'entre as festas que religiosamente fazem as pessoas dedicadas ao culto sobresahe a da Pureza, especial padroeira das donzellas, cantada em côro por mais de vinte e por música propria. As pessoas que assistem a essa simples devoção trina na última dominga de junho jamais se esquecem dos effeitos que produzem nos corações dos fieis tão piedosos, quão maravilhosos cantos. Por essa veneração se conserva um cirio aceso em todos os actos divinos, posto em grande castiçal na cappela-mor sobre alcatifas." (pág. 112)
A festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens permanece ainda hoje sendo uma das mais significativas festas religiosas de Alagoas. Na procissão dessa festa atua hoje a banda de música da Sociedade Musical Professor Francisco de Carvalho Pedrosa e tem por ápice os tradicionais fogos pirotécnicos na lagoa e na fachada da igreja sob a forma de cascata reluzente.
Santuário de Nossa Senhora dos Remédios
A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios é uma relíquia dos idos dos anos 1850, construída em plena Mata Atlântica, próximo às margens da Lagoa Mundaú e do riacho do Remédio, no povoado do Cadóz.
Trata-se de uma Relíquia Sacra, uma obra ímpar que, pelo seu valor histórico, religioso, arquitetônico e, especialmente, pela grandiosidade da massa humana que cultua a fé há mais de cento e cinqüenta anos, não podia desaparecer e, para tentar reverter o quadro de que se encontrava praticamente destruída pela ação da intempérie, dos cupins e dos morcegos o Instituto Arnon de Mello coordenou a restauração integral da igreja em 2005.
Toda a sua estrutura estava danificada, sem que houvesse a menor manifestação dos poderes públicos para evitar a extinção total daquela Igreja consagrada como Milagrosa.
Restauração pelo Instituto Arnon de Mello
Foi um trabalho hercúleo; conforme relatado no site ou sítio do IAM. Durante quatro meses de trabalhos intensos, marcando os dias com 12 (doze) horas úteis, Engenheiros, Arquitetos e dezenas de operários trabalharam cuidadosamente, especialmente no aproveitamento de toda a estrutura original. Dezenas de metros cúbicos de pedras decorativas instaladas. Feito um monumental muro de arrimo para proteger uma grande barreira lateral, bem como a construção de balaustrada decorativa com mais de 300 metros de extensão e escadaria de concreto com mais de 130 metros.
Os dois altares que ainda existiam se encontravam totalmente apodrecidos (um terceiro havia sido incendiado) foram desmontados, peça por peça, e levados para São Paulo, entregues ao renomado restaurador Roberto Mitsuchi que realizou um magnífico trabalho, devolvendo as peças (agora os três Altares originais), magnificamente restaurados.
Os trabalhos que haviam iniciado no final do mês de março de 2005 foram totalmente concluídos no mês de julho, daquele ano, quando novamente foi inaugurada aquela Igreja, agora, um verdadeiro Santuário, objeto de admiração de todos que ali vão visitar.
Somente conhecendo, in loco, aquela obra magnífica poder-se-á avaliar o valor dos trabalhos coordenados pelo Instituto.
Relativamente a esta Obra, o Instituto Arnon de Mello fez publicar um livro mostrando todo o trabalho realizado, a partir de como se encontrava o Templo anteriormente. É um verdadeiro documentário fotográfico que se encontra arquivado em todos os Órgãos e Entidades que registram a História de Alagoas.
Inauguração
Emoção e fé marcaram a inauguração das obras de reforma do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios prestigiada pela comunidade. Familiares de João Duda Calado, proprietário das terras onde fica a igrejinha, o ex-Presidente Fernando Collor, diretor do instituto, e diversas autoridades prestigiaram a celebração de uma missa pelo pároco da comunidade, padre João Carnaúba.
Sociedade Musical Professor Francisco de Carvalho Pedrosa
A Sociedade Musical Professor Francisco de Carvalho Pedrosa é uma associação de mestres e professores destinada ao ensino de música fundada no séc. XX. Dentre diversas composições feitas nessa sociedade musical destacam-se o "Hino da Padroeira Nossa Senhora Mãe dos Homens", composição de um dos mestres dessa banda nos anos sessenta do séc. XX, Manoel Leandro Simplício; o frevo "Dois goles, uma queda" do músico militar Anízio da Silva Pinto, contra-mestre da banda local na década de setenta do séc. XX e outras peças populares como o bolero "Paixão de Homem" (autor desconhecido), entre outras.
Grupos de Pastoril, Reisado, Chegança, Marujada, Guerreiros e Baianas de Coqueiro Seco
O município está repleto de folguedos da cultura de Alagoas como o Pastoril, o Reisado, a Chegança, a Marujada e também a tradição do Guerreiro estão enraizados. Esses folguedos são apresentados nas mais diversas festas ao longo do ano. Em Coqueiro Seco destaca-se a dança das Baianas.
Segundo historiadores, as Baianas vêm de uma variação rural do Maracatu de Pernambuco, no sul do Estado eram chamadas de Samba de Matuto ou Bahianal e têm influências de Pastoril, vide os cordões Azul e Encarnado, acontecendo no Ciclo Natalino, de 25 de Dezembro a 6 de janeiro. Sofrem influência do Coco, nas formas musicais e pelos temas cotidianos que são cantados. A alegria da Música das Baianas é extremamente contagiante, segundo alguns autores o ritmo é chamado Pancada Motor. Elas foram uma forte tradição Alagoana, mas hoje existem apenas poucos grupos no Estado.
O grupo folclórico A Baiana de Coqueiro Seco ficou desativado de 1958 até 2003, mas a memória coletiva é uma arma poderosa e além do repertório tradicional já compõe músicas novas e está conseguindo trazer a participação de alguns jovens. Hoje as Baianas em Alagoas são formados por mulheres da Terceira Idade em sua maioria. Todas as pessoas do grupo além de brincarem a Baiana são também da Chegança Silva Jardim, grupo já registrado no município.