Cruzeiro do Sul - Acre

Cruzeiro do Sul é um município que fica localizado no oeste do Acre. A cidade é, atualmente, a segunda maior cidade do estado do Acre e a mais desenvolvida da Região do Juruá.

A cidade é considerada a capital do Juruá, sendo um dos mais importantes pólos turísticos e econômicos do Estado. Tem seus encantos para mostrar, como: igarapés mágicos, praias de areias claras e finas, águas escuras e límpidas, passeios e pescarias pelos rios e a vegetação selvagem da floresta. Além disso, Cruzeiro do Sul é cercada de construções e monumentos que simbolizam e guardam a história e a grandeza do seu povo.

Histórico

A cidade, cujo nome foi inspirado na Constelação "Cruzeiro do Sul", surgiu da implementação do decreto de 12 de setembro de 1904, quando o Coronel do Exército Brasileiro Gregório Thaumaturgo de Azevedo instalou a sede provisória do município, em um local denominado "Invencível", na foz do Rio Môa. Teve sua fundação oficializada em 28 de Setembro de 1904, quando a sede do Departamento do Alto Juruá foi transferida para Cruzeiro do Sul. A área escolhida chamava-se "Centro Brasileiro" e foi adquirida do Sr. Antônio Marques de Menezes pelo governo da União. Era localizado à margem esquerda do Barracão Central da Casa de Farinha e algumas barracas isoladas.

Em 17 de Novembro de 1903, o território do Acre, incorporado ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis, foi dividido em três departamentos: Alto Juruá, Alto Purus e Alto Acre, todos independentes entre si e diretamente subordinados ao Governo da União. Cada um dos departamentos era administrado por um Intendente - cargo parecido com o de prefeito atual, só que nomeado pelo presidente da República, até 1920.

No dia 28 de setembro de 1904, o Coronel Thaumaturgo, através do Decreto N° 4, autorizava a transferência da sede da Prefeitura para o Seringal Centro Brasileiro, à margem esquerda do Juruá, pois no antigo lugar faltava área suficiente para o desenvolvimento futuro da cidade, além do problema das inundações periódicas, resultantes das enchentes do rio. Na área do Centro Brasileiro, a geografia apresentava muitas colinas (terras livres de inundações), facilitando a implantação da futura cidade de Cruzeiro do Sul, atendendo, ainda, outras considerações de ordem administrativa e comercial. Não se sabe, exatamente, de quem foi a idéia de dar o nome à sede da prefeitura do Alto Juruá de Cruzeiro do Sul, mas a denominação é estabelecida no artigo 2° do Decreto e, com certeza, tem por inspiração a constelação do Cruzeiro do Sul.

População

A atual população de Cruzeiro do Sul, bem como da região do Juruá, é formada principalmente pelo elemento indígena, e pelos nordestinos que vieram à região em grande número no início do século XX para a extração da borracha. Também é forte na região a presença dos sírio-libaneses, que chegaram à região como comerciantes. Mais recentemente, a região também tem recebido imigrantes peruanos.

Geografia

O município conta com uma área de 7.781,5 km²; limita-se ao Norte com o Estado do Amazonas, ao Sul com o município acreano de Porto Valter, ao Leste com o município acreano de Tarauacá e a Oeste com os municípios acreanos: Mâncio Lima, Rodrigues Alves e também o Peru.

Hidrografia

Os principais rios do Estado são o Juruá e o Purus, que formam as duas grandes bacias hidrográficas acreanas. A cidade de Cruzeiro do Sul é banhada pelo Rio Juruá. O Juruá é um rio de águas barrentas, navegáveis e piscosas que banha e divide a cidade de Cruzeiro do Sul em dois distritos. O nome Juruá é de origem indígena, é uma derivação do nome "Yurá", usado pelos indígenas que habitavam suas margens. O rio nasce no Peru e, com mais de 3 mil quilômetros de extensão, está entre os 10 maiores do planeta. É considerado um rio novo e rico em sais minerais. Suas margens, após as vazantes, são utilizadas pelos ribeirinhos ou "barranqueiros" para o plantio de produtos agrícolas como: feijão, milho, batata, melancia e outros. Os afluentes do rio Juruá são: rio Tarauacá, rio Gregório e Tejo. Suas águas caudalosas e barrentas tem dois períodos distintos: no inverno, especialmente de dezembro a maio, é a época das enchentes, quando ele invade todas as terras baixas; e o período de verão, de junho a novembro, quando suas águas baixam de tal maneira que os barcos e balsas de maior porte não conseguem chegar a Cruzeiro do Sul. Há uma grande quantidade de lagos espalhados pelo município, localizados, quase sempre, próximos ao Rio Juruá ou à seus afluentes. O aspecto e a largura que apresentam são semelhantes aos dos cursos d'água que passam nas proximidades. Medem, aproximadamente, 6 km de extensão e são, geralmente, piscosos.

Clima

A região de Cruzeiro do Sul possui clima equatorial, quente e úmido, e sua temperatura média é de 26°C.

Relevo

O relevo apresenta vasta terra firme, com pitorescas colinas, por cujos vales serpenteiam alguns córregos. O tipo de solo predominante é o prodzólico, vermelho e amarelo, não possuindo terreno pedregoso.

Infra-estrutura

Acesso

Distante cerca de 710 quilômetros de Rio Branco, por rodovia, através da BR-364. Entretanto, o acesso terrestre é muito difícil, limitado apenas ao verão amazônico, principalmente nos meses de julho, agosto e setembro. Outro ponto que decorre da dificuldade do acesso terrestre é a chegada de alimentos até a cidade. Vegetais e alimentos perecíveis são difíceis de serem encontrados e sempre a um alto valor

A cidade tem um Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul localizado a 15 quilômetros do centro urbano. Existe linha regular de jato comercial e aviões de médio porte.

Segurança pública

Possui uma Delegacia de Polícia Federal, por se tratar de um ponto estratégico e uma rota do tráfico de drogas. Os trabalhos da Polícia Federal nessa região são intensos, e a infra-estrutura é completa, com policiais especializados em trabalhos na selva, outros especializados em vias fluviais.

Saúde

A saúde é muito precária no município, pela escassez de profissionais na região, recorendo-se geralmente a profissionais estrangeiros.

Economia

O extrativismo da borracha foi, até o início do século XX, a principal atividade econômica desenvolvida no município. Além da borracha, a economia da região gira em torno da exploração da madeira. Atualmente, a farinha é o principal produto da atividade econômica municipal, sendo uma das melhores da região e muito apreciada no sul do país.

Turismo e cultura

É conhecida como a "Terra dos Náuas", uma tribo local. Além disso, Cruzeiro do Sul é cercada de construções e monumentos que simbolizam o seu povo e cultura. A cidade é ligada ao município de Pucallpa - Peru, do qual dista 250 quilômetros, por via aérea. Existe um intercâmbio ativo de turistas entre as duas cidades, influenciado pelo comércio local. Alguns pontos turísticos:

  • Catedral de Nossa Senhora da Glória: construção de 1957 em estilo germânico, com forma octogonal e, no seu interior, um painel representando a mãe de Jesus, abrangendo todo o Fundo do Altar-mor.
  • Fórum Civil Caio Valadares (Comarca): construído em estilo neoclássico. Funcionou como o primeiro Tribunal de Apelação do Alto Juruá. Na Biblioteca, obras estrangeiras raras e mobiliário do começo do século XX.
  • Estação do Porto: estilo colonial inglês, com arco moldado em ferro fundido na Inglaterra, no ano de 1912.
  • Igarapé Preto: está localizado às margens da rodovia que liga a cidade ao aeroporto. Tem uma praia muito agradável, de areias claras e finas, contrastando com a água escura, límpida e transparente.
  • Instituto Santa Terezinha: bastante visitado por sua arquitetura colonial. Abrigou a primeira escola de 1° e 2° graus de Cruzeiro do Sul.

Religião

A maior parte da população é católica, e a festa mais popular da região é o "Novenário de Nossa Senhora da Glória"; mas também há um forte crescimento da parcela protestante(evangélica)da população. Embora em menor número, chamam a atenção pela sua particularidade, a presença das chamadas "Religiões da Floresta", em especial a União do Vegetal(UDV) e o Santo Daime, praticas espiritualistas que têm em seus cultos, o uso ritualístico da "ayahuasca". Entre os indígenas da região também acontecem as práticas xâmanicas com o uso da "ayahuasca".